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Rainha dos anjos – Mistério de porcelana no fundo da Baía de Guanabara

Dia 22 de março a Media Mundi  lança o livro “Rainha dos Anjos, mistério na Baía de Guanabara”. Confira um texto do site Perfil Náutico sobre o projeto e a história do navio.

 

Nos séculos XVII e XVIII, o Brasil era uma das mais importantes rotas marítimas coloniais. A localização geográfica, fez com que o Rio de Janeiro se tornasse um ponto de parada para navios que faziam  o percurso da Ásia à Europa.

E foi com o intuito de resgatar parte desse registro histórico que nasceu o projeto  “Rainha dos Anjos, o mistério da Baía de Guanabara”, livro que conta a história da nau e faz um pontual registro histórico do acontecimento. O Rainha, navio do século XVIII armado com 55 canhões, partiu da China rumo a Lisboa contendo além da carga geral, presentes da corte chinesa para o Papa Clemente XI, e o Rei de Portugal, D. João V.  destes, vidros e porcelanas de interesse histórico excepcional, fabricados na oficina do Palácio Imperial.

O navio partiu de Macau rumo à Europa em 9 de dezembro de 1721.  As peças confeccionadas pela equipe de jesuítas na oficina do palácio de Beijing, se encontram até hoje em algum lugar da Baía de Guanabara . Todavia, o trânsito de navios nesta baía sempre foi muito intenso e os 300 anos numa área portuária fizeram de suas águas e seu fundo um lugar com muito lixo. Além disso, há vários esgotos que por ali desembocam. Tais fatos deixam a procura ainda mais instigante e exige dos envolvidos muito conhecimento de causa.

Em sua escala no Rio de Janeiro, o navio foi a pique por uma circunstância bastante prosaica: uma vela fora esquecida acesa em seu porão causando um incêndio, que apesar dos danos não deixou vítimas. A pesquisa sobre o Rainha foi bastante elaborada, contando com experts como Denis Albanese (que vem pesquisando esta nau há 20 anos) e Emily Byrne Curtis, referencia em vidros e porcelana e historiadora americana, que aponta algumas curiosidades do período em que o imperador chinês Kangxi ( 1662 a 1722 ) esteve no poder.

Os organizadores confeccionaram um livro tendo como principal foco o registro histórico. A iniciativa é uma parceria da agência Media Mundi, com Denis Albanese, realizador de vários resgates na costa brasileira; que tem entre seus feitos a descoberta do Wakama. O detalhe é que quando descobrira o navio,  ao largo de Búzios, Albanese utilizou apenas uma pequena embarcação para encontrá-lo.  Loic Gosselin, Diretor Executivo da Media Mundi, faz questão de salientar a importância do que seria o resgate da carga da Rainha dos Anjos para o país.

“Esta é uma oportunidade única de resgatar o patrimônio histórico da Baía de Guanabara”, diz.

A mais recente descoberta histórica contada no livro, é a existência de um tal de Jorge Mainart, contratado pela coroa Portuguesa na época do naufrágio, para resgatar o que podia se salvar da carga, e principalmente os canhões, devido ao seu valor na ocasião.  Mainart nunca entregou os achados ao seu empregador… E assim, a maior parte da carga com destino a Portugal e Vaticano, foi deixada e permanece até hoje no fundo do mar.

“Sabemos que o navio explodiu e que tinha 55 canhões, a maioria em bronze. Além disso, o Rainha trazia, como de costume, uma carga muito importante de porcelana de encomenda”, explica Albanese com a carisma de quem doou uma participação substancial de todo material de naufrágios encontrado por ele no Brasil, ao Museu da Marinha do Rio de Janeiro.

“Com a explosão, uma parte foi quebrada e produziu milhares de cacos. Então, se nós encontrarmos uma quantidade grande de cacos saberemos que estamos perto”, completa Albanese.

Ilustrações -  Na ausência de imagens histórica do ocorrido, pedimos ao artista e cartunista Tiago Lacerda para “recriar” os últimos momentos dramáticos desse naufrágio no encarte central do livro. Tiago Lacerda,assina como “Elcerdo”, ilustrou para jornais como O Globo, Folha de São Paulo, além de revistas de publicações próprias.

O livro, uma bela publicação de capa dura com 197 páginas, conta com cartas náuticas, ilustrações de época, fotos, além de textos que remetem ao cotidiano da época em que o Rio de Janeiro (meados do séc. XVIII) começava a tomar contornos de uma grande metrópole.  Seu lançamento será no dia 22 de março às 19h30, na Livraria Travessa do Shopping Leblon (RJ).

 


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